Sou o Mário Pereira, fisioterapeuta inscrito na Ordem dos Fisioterapeutas com a cédula profissional 6744. Trabalho quase exclusivamente com coluna vertebral e dor persistente.
É uma escolha de dedicação: preferi aprofundar-me numa área específica, em vez de saber um pouco de tudo.
Durante muito tempo ensinou-se que a dor era o reflexo direto de um dano: se dói, alguma coisa está partida. Sabemos hoje que não funciona assim. Há pessoas com desgaste evidente nos exames e nenhuma dor, e pessoas com exames impecáveis e dor que lhes rouba a qualidade de vida.
Isso muda tudo na forma de trabalhar. Deixa de fazer sentido perseguir uma imagem e passa a fazer sentido perceber o comportamento: o que agrava, o que alivia, que direções de movimento mudam os seus sintomas, o que o assusta, o que evitou fazer nos últimos meses e porquê.
É por isso que passo tanto tempo a perguntar e a testar antes de fazer seja o que for. E é por isso que explico em voz alta o que estou a fazer — porque perceber o que se passa consigo é parte do tratamento, não um extra simpático no fim da consulta.
A terapia manual entra quando ajuda a destravar alguma coisa. É um facilitador temporário, nunca o centro. O centro é perceber se o movimento influencia o que sente, descobrir qual o alivia, e ensinar-lhe a usá-lo por si. Se o centro fosse a terapia manual, ficaria dependente de mim — e é exatamente o contrário do que procuro.
A formação em coluna que fiz vem sobretudo de escolas de raciocínio clínico e de avaliação por movimento, não de técnicas isoladas. E começa antes da fisioterapia, no exercício físico.
É o dia em que me manda uma mensagem a dizer que sentiu aquilo outra vez, mas que já sabe o que fazer — e que resolveu por sua conta.
Não construo dependência. Construo autonomia. É por isso que sai da primeira consulta com trabalho para casa, e é por isso que lhe explico o raciocínio em vez de lhe dar apenas instruções.